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Alegoria da Lusitânia |
número de
fidalgos, e ordenou levas de tropas para servir nas
guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando
assim Portugal das suas maiores forças. (…) O que veio dar
mais impulso à ideia da independência foram as novas
exigências do conde-duque. Em Junho de 1640, com efeito,
insurgia-se a Catalunha, e Olivares pensou em mandar
portugueses a combater os catalães revoltados, ao mesmo
tempo que se anunciavam novos impostos. (…) Aderiram à
conjura o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e
vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa,
D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor
Estêvão da Cunha, deputado do Santo Ofício, e D. António
Telo. Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no
jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em
Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida,
Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João
Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher
do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão. (…) Chegado a Lisboa
a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores
para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e
onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em
pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões.
Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã
de sábado, 1.º de Dezembro. Na noite de 28 para 29 surgiram
complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os
conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram
encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar,
opôs-se tenazmente a tal ideia, numa discussão que se
prolongou até as 3 horas da manhã. (…) O dia 1.º de Dezembro
amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os
conjurados confessado e comungado, e alguns deles fizeram
testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o
Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre
Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se
os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a
pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo,
Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e
alguns populares, tinha por objectivo assaltar o forte
contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas
os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque.
Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros
que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma
varanda de onde falou ao povo. Estava restaurada a
independência…
Bibliografia:
In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial
Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro,
1978, pp. 317-319.
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